Ligue para Aldo!

Na foto do meio, Aldo exibe a pose “Observe eu não me importar”
Tenho uma verdadeira lista alfabética de nomes de profissionais terapêuticos que me trataram, tanto psicólogos, quanto psiquiatras. É interessante que dentre uns cinquenta que passaram pela minha vida (ou seria eu que tenha passado pelos seus divãs?), me identifiquei com apenas dois.
Uma é a psiquiatra Zenaide Regueira. Desde os vinte anos de idade que frequento seu consultório. Sumo, volto, sumo de novo, e sempre que preciso, ela me passa receitas para eu comprar meus remédios para a minha Síndrome de Tourette. O outro é o psicólogo Sebastião Aldo, ou simplesmente Aldo. Indicado por um amigo, que o conhecia por ser pai de um outro amigo, e me disse que facilmente Aldo resolveria minhas perturbações.
Ele começou me atendendo à domicílio, pois eu, dentro de uma de minhas hibernações, não saía de casa para lugar nenhum. Aldo chegava de táxi, e o divã era o meu quarto. Passamos três anos nessa terapia. De uma singular percepção, ex-seminarista, músico, viúvo e pai de dois filhos, Aldo conseguiu, o que diríamos, uma raridade (quase um pecado) dentro da psicologia: se apegar ao seu cliente, no caso específico, eu.
Já não me cobra mais nenhum centavo para me ouvir, seja por telefone ou seja vindo me visitar. “Ligue para Aldo” já virou bordão, conselho para quem está aperreado. Hoje posso dizer que somos amigos! 
Ontem ele veio almoçar na minha casa, disse que queria cozinhar para mim e Natália, minha parceira e militante da causa da Tourette (e do feminismo, claro!). Resolvi pedir alta para ele, mas Aldo disse que meu caso era sem solução definida e que eu nunca poderia obter efetivamente uma “alta” psicológica. Ele gosta de dizer que tenho obtido grandes avanços com a chegada de Natália na minha vida; de “bicho do quarto”, agora vou para todos os lugares e estou retomando a minha vida social que há muito tempo não tinha. Parei de beber…
O interessante é que na hora do almoço, minha mãe me ligou me chamando para almoçar com ela, e eu disse para ela vir almoçar conosco. Ela veio e a tiracolo trouxe um tio meu, seu irmão. Conversa vai, conversa vem, pós almoço, na hora do cafezinho, os conflitos familiares começaram a vir à tona. Minha mãe culpando a vida sob a sua ótica, e Tio Marco rebatendo sob a dele; Aldo, no centro dos dois, ouvindo tudo; e eu, mediando toda esse cenário, para interromper os dois e dizer: “Agora é a hora de Aldo falar”!
Foi bastante interessante. Fiquei com Natália ouvindo processos de depressão, euforia, lamentações e até lágrimas, observando como Aldo estava interessadíssimo naquilo tudo, pois era uma extensão de mim, seu cliente, e também uma mediação de um conturbado processo familiar. Aldo, sempre com a sua sabedoria, intervinha com seus raciocínios baseados na Terapia Cognitiva Comportamental e outras terapias alternativas, praticamente tentativas de hipnose para abaixar um pouco o volume elevadíssimo das vozes dos conflitantes. Acho que Aldo se deliciou por estar fazendo o que mais gosta: ouvir o problema alheio e dar soluções…
Aldo para mim é mais que um psicólogo, é um paizão, e sempre haverá entre nós essa identificação emocional. Talvez, hoje, ele também tenha sido meio paizão de todo mundo. Depois de tantos demônios exorcizados e de tantas lembranças reviradas, acho que todos ficaram “resolvidos” dos seus conflitos, e depois de quatro horas de terapia de grupo, rumaram para seus respectivos compromissos.
Estou aqui um pouco aliviado depois dessa tarde conturbada mas interessante. Assim que todos foram embora, sentei para escrever essas linhas, mas antes liguei para a minha mãe, apenas um conselho para o caso de ela ainda estar aperreada: “Ligue para Aldo!”
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