Inimigo íntimo*

Sim, eu tenho Tourette!

**Giba Carvalheira
A vida com Tourette é uma situação por demais delicada. A começar pelo fator externo, onde as manifestações de tics motores e vocais deslocam o indivíduo da sociedade, como também a fatores internos, que certamente só quem sente é quem é portador da Síndrome!
Primeiro, as dúvidas até se chegar ao diagnóstico. Felizmente, hoje, a Síndrome é muito mais difundida e pesquisada; o advento da internet tem facilitado muito a nossa vida! O meu diagnóstico veio apenas aos vinte e seis anos de idade; hoje tenho 41 e consegui medicação adequada para controlar os tics aos 30 anos. Mas, com essa nova visão, onde poderíamos enquadrar o portador de Tourette como dentro do segmento de pessoa com deficiência, muitos sofrem até encontrar uma medicação que os “cure”, e muitos vão até fazer cirurgia no cérebro, colocando eletrodos e um marcapasso na região do peito, junto ao coração, cirurgia esta que ainda está em progresso.
Mas quando falo do fator interno, mesmo desconsiderando as sequelas sociais que muitos podem carregar, como o envolvimento com drogas em geral (o álcool, inclusive, a pior de todas elas), falo da ansiedade que se cresce dentro do indivíduo com Tourette, o déficit de atenção, a eterna insegurança interna, como também outras variantes que o portador desenvolve, como o TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)!!!
Faço a minha parte nessa luta que todos nós travamos, pois nós, portadores da Síndrome de Tourette, somos irmãos… Irmãos em Tourette! Nós nos compreendemos por completo!!! É interessante, às vezes, quando passo o dia inteiro na virtualidade fazendo uma auto-ajuda com todos os meus irmãos que encontrei no meio sócio-cibernético, desde a era do Orkut e do MSN, e sólidas amizades que construí ao longo dos últimos três anos de minha vida.
A Síndrome de Tourette é um inimigo íntimo, ela mora dentro de cada portador de ST, se enraizando de uma forma profunda e complexa. São situações muito especiais e que temos que lidar com o dia a dia, cada um na terapia que se adeque, mas principalmente naquilo que nós buscamos, que é não sofrer violência moral, pois machuca muito.
A sociedade precisa estar comprometida com a nossa causa, temos uma parcela de insuficiência social por não sermos bem aceitos dentro dela, mas a luta nunca acabará, nunca…
*Texto originalmente publicado no Clic Nervoso
**Giba Carvalheira escreve excepcionalmente nesta sexta-feira sobre Síndrome de Tourette. Natália Raposo deve estar ali ou acolá.
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Um comentário

  1. Estive sem acessar a Internet por quase 10 dias.
    Nunca é demais se ler sobre a ST.
    A luta deve continuar, para vermos quando o Governo reconhecerá essa Síndrome como uma deficiência e aceitará prover os necessitados.
    Não é só inclusão social sem tratamento das doenças e suas sequelas: nada resolverá. O trabalho é de base e, como os demais transtornos e doenças elencadas para a finalidade de Aposentadoria e Pensão, esta deve ser muito bem analisada, pois casos há de total incapacidade e/ou inadequação ao trabalho.
    Lutemos por tudo isto!
    Ass:Uma mãe de um tourrético.

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