No calor do atrito

Vou constantemente ao encontro da muralha que separa a angústia da clarevidência. Ralo pelos caminhos que explodem faíscas de fogo, eterno baluarte da arte bélica, desde o seu aparecimento, na pré-história, aos tempos atuais, onde a indústria da guerra mostra ao vivo as suas invenções tecnológicas belicosas.
Venham a mim com o tempo da certeza de que podemos de fato estar dentro de uma caixa de fósforos. Somos palitos que possuímos cabeças de pólvora, nos incendiamos por dentro como fogueiras juninas, apressamos o passo para não explodir logo com tudo.
De que valeria mil fantoches presos dentro de um mini-retângulo, se não tivesse a convicção plena de que ao passar pela lixa que os darão combustão, suas convicções não estejam bem esclarecidas?  Vamos em frente, os dados estão no tabuleiro.
E se mesmo assim, ao incendiar todo o complexo e elaborado sistema que o indivíduo acaba de cuspir fogo,  ele não consegue o consolo, é porque a guerra foi perdida. Recolham os seus fósforos, catem os que já foram usados, eles terão um enterro digno, apropriado e demasiadamente patriótico.
Venham a mim com a expectativa de que o belo pode ser um pesadelo igual, ao final… O fim com uma pomposa cerimônia funeral, as cabeças queimadas pelas tentativas de atirar fogo nos alvos que estávamos procurando, e que infelizmente com a derrota iminente, se enfileiraram novamente dentro de uma caixa de fósforos, que por si só serviram de caixão.
As estórias estão aí, a humanidade já se destruiu tanto que ocupações e desocupações são frequentes. Assentamentos também. Todos os reflexos bélicos atuais estão aí. E olhem que são tantos, desde ataques de policiais que usam do que tem que ser usado para combaterem o crime, ou seja, a truculência, à guerras santas que apavoram a minha pessoa cada vez que assisto aos noticiários. Tudo mostra a condição em que estamos de fato atualmente.
A intolerância dos humanos cada dia me deixa mais apavorado. Imagino se não estivéssemos em uma “blogosfera”, como seria a nossa capacidade de cuspir fogo? Ando por aí, observando tudo, acompanhando todos os seguimentos políticos que rondam a minha percepção.
Olho sempre para frente, sei que a qualquer momento, ao dobrar a esquina, terei eu que estar no calor do atrito…    

Um comentário

  1. Infelizmente essa é a nossa realidade de vida, já a muitos anos, e com o tempo a coisa ta ficando cada vez pior.
    Não estamos protegidos nem mesmo dentro de nossas casas, o calor do atrito pode chegar a qualquer momento e tudo vai virar brasa!

    ZeiChan

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