Transtorno Obsessivo Compulsivo

Vou tentar não dimensionar tanto uma situação tão simples que acaba de acontecer. Na verdade acho que acabo de me ver preso nas amarras da minha mente. O pensamento começou a penetrar em camadas de interpretações cerebrais de alta proporção.
Acabo de perceber que superdimensionei tudo. E tudo começou numa simples olhada, por três vezes, no relógio. Percebi que as horas estavam exatas: 09:00h. 13:00h, 17:00h. Porque essa trágica coincidência?
Certamente ao olhar essas três vezes no relógio, e perceber que as horas estavam exatas, me fizeram acreditar em uma sequência negativa de acontecimentos. Seria um sinal para a chegada da morte? Ela aconteceria em três atos simétricos e tentaria carregar por três vezes a minha já combalida vida? Seriam três horários que me trariam alguma punição cancerígena no meu corpo? As horas do resultado das biópsias? Meu corpo estaria com a comorbidade de três doenças diferentes?
Definitivamente, seria mais fácil imaginar que essa sequência me traria sorte. Isso seria o mais óbvio de acontecer. Para a maioria… Estou preso em combinações negativas, três, sempre três. E as três vezes que eu olhei no relógio, ele estava com a exatidão do horário “redondo”. Triste constatação, pois esses pensamentos me tiraram praticamente todo o dia.
Desde a hora em que fui passear com o meu cachorro, e minha mente vagou para essas possibilidades, e mesmo na concentração de ter assistido por três horas um bom filme, me perdi no enredo por não conseguir parar de pensar nessa sequência. O pior, já tendo passado o dia inteiro neste pensamento, foi na hora de deitar a cabeça no travesseiro para dormir, que ele não parou de pulsar.   
Vou implodir tudo de uma vez, talvez uma superdosagem de Clonazepam possa aliviar um pouco esses pensamentos negativos. Antes eu fosse viciado em lavar as mãos por mais de duzentas vezes ao dia. Mas o que está pegando é que essa sequencia de horário, eu olhei três vezes no relógio, em momentos diferentes, e foram 09:00h, 13:00h e 17:00h. Números ímpares, diferença de quatro horas entre as olhadas.
Mas essa diferença de quatro horas é um número par. Sim, agora isso acabou de gerar mais uma especulação na minha cabeça, negativa evidentemente. Talvez as quatro rupturas do meu “eu” com o meu próprio sentimento de perversidade comigo mesmo?
“Relaxe meu caro”, o Clonazepam acabou de entrar no sangue, acabo de conseguir respirar um momento de trégua no meu cérebro. A possibilidade de agora experimentar a bênção de uma temporária paz, me conforta na cama, com a cabeça no travesseiro, olhando para o vazio do meu teto amarelo. 
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