O elo perdido da Tourette

Espíritos de luz rodeiam a minha aura. Os espectros estão por todas as partes. Posso vê-los, posso ouvi-los. Estou em comunhão com o divino.

Rogo por todas as espetaculares e altruístas bênçãos que estão por vir. Tudo é uma simetria espiritual.

As portas do paraíso estão abertas para os eternos sofredores. Tenho uma vida equilibrada, mas já chafurdei na lama por muito tempo.

Tenho a missão de confortar os que sofrem da minha doença, a Síndrome de Tourette. Estou sempre à disposição, 24 horas por dia.

Nas minhas redes sociais, os aflitos me vêem como um líder da causa. Talvez pelas minhas atividades virtuais, talvez por eu estar em um estágio avançado de melhora.

Tive o diagnóstico aos 26 anos de idade. Desacreditado por tudo e por todos. O controle dos tiques aos 30. Se eu tivesse respaldado por um diagnóstico, minha vida teria sido diferente.

Portanto falo para os recém chegados à essa realidade: vocês estão respaldados por um diagnóstico, e isso é o mais importante.

Fui expulso do meu colégio. Não tinha diagnóstico na época. Talvez se tivesse, a estória seria outra.

Um alerta a todos os portadores recém diagnosticados: faça valer a força desse diagnóstico, pois assim a aceitação nesse mundo maldito poderá ser mais amena, menos sofrida.

Milito e sempre militarei na causa. Essa causa é a minha vida.

Aleluia por eu estar vivo. Vivi uma vida sem limites, desenvolvi alcoolismo. Tive duas pancreatites. Não morri!

Sou o exemplo claro de que tudo é possível nesta vida.

Temos um carma. Talvez uma vida posterior a nossa possa nos trazer paz.

Acredito na consciência que perpetua, mas tenho encontrado consolo no Kardecismo. Algum elo entre todo esse sofrimento haverá de ser fechado.

Assim seja!

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2 comentários

  1. Texto muito real e bem escrito.
    Sentimo-nos melhor sempre, ao ajudar o outro. E isso é o que você tenta fazer. E está logrando sucesso. Parabéns!
    Orgulho de ser sua mãe!

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  2. Legal, Giba! Com as redes virtuais surgiu essa possibilidade de conhecer pessoas com afinidades e trocar ideias sobre problemas em comum. Pena que não existia internet na época do Santa Maria. De toda forma, hoje podemos manter contato com amigos de longa data que moram longe com um simples toque no celular. Parabéns pelo blog!

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