Tourette. Lei seca. Truculência policial!

Como todos já sabem eu sou portador da Síndrome de Tourette. Faço uma árdua militância, participo de vários grupos fechados, só no Facebook, uns 5 para se ter uma idéia.

Pois bem, sábado passado, estava feliz. Queria dar uma volta na cidade com a minha esposa, à noite, para ver as luzes dessa minha linda cidade do Recife.

Quando passei em frente ao teatro Santa Isabel, uma blitz da lei seca. Me pararam, e eu imediatamente o fiz sem a menor preocupação, pois como todos já sabem, eu parei de beber há muito tempo.

Mas para quem ainda não sabe, eu tomo quatro medicações controladas, e antes de ser diagnosticado, eu fazia muitos tiques vocálicos. Consegui controlar meus tiques vocálicos, mas a medicação, somada com o controle de 80%  dos meus tiques, deixou minha dicção um pouco diferente.

Muitas vezes ao telefone as pessoas acham que eu estou bêbado, pois falo com a língua um pouco enrolada.

Encostei o carro.

“Pois não autoridade?”, falei. “”Documentação do veículo e habilitação!”, respondeu o policial de forma truculenta. Não sei porque os policiais não tratam os cidadãos do bem de forma educada, eles  sempre chegam com essa arrogância ao falar.

Imediatamente eu dei, e logo após perguntei se estava tudo correto. Inclusive estava de óculos e a minha habilitação fala disso. Ele disse de forma mais truculenta ainda: “Você aqui não fala, só responde. E está embriagado!”.

Eu disse que não, que faria o teste do bafômetro imediatamente se ele quisesse. E ele, com a sua peculiar educação, falou num tom ríspido e mais alto ainda: “Aqui você não fala, só responde, eu já disse!”.

É lógico que ele percebeu que eu não estava com um mínimo cheiro de bebida, e logo em seguida falou novamente: “Você está falando com a língua enrolada de bêbado!”.

Minha esposa então falou que eu tomava medicação controlada, que era portador de Tourette ( como se ele soubesse o que era essa doença ) e disse que tinha uma dicção daquele jeito.

Ele não foi pegar o aparelho de assoprar por razões óbvias, mas devolveu os documentos e emendou: “Cidadão, você está com todas as características de embriaguez, está falando como um bêbado, mas pode ir embora!”.

Olha gente, isso acabou com o meu sábado. Tive vontade de chorar, tive pânico, fiquei com medo de sair à noite de novo e ser pego por outra blitz.

Este educado policial acabou com o meu sono, passei o domingo pensando no episódio e fiquei muito cabisbaixo.

Essa maldita doença é assim… me fode com a sociedade, me fode com a corporação, me fode com quem eu não conheço.

Mas tudo bem, já assimilei tudo, e não estou mais preocupado. Quando eu for mais uma vez ao meu psiquiatra, pedirei a ele um laudo que explique isso a outro policial, caso eu seja abordado novamente.

Deu vontade de gritar com ele: “Passei no psicotécnico seu imbecil!”.

Quando for parado por outra blitz, serei monossillábico!

Mas confesso: como eu queria ter assoprado aquele maldito bafômetro, para olhar a cara daquele “delicado” policial.

Mas terei outras oportunidades caso isso aconteça novamente.

Guardei essa estória comigo durante três dias, não contei para ninguém. Mas passei por um constrangimento terrível.

Estou relatando essa estória para vocês verem o quando é desagradável a vida de um portador de Tourette. Ou de alguma outra pessoa que tenha que tomar medicação controlada e que tenha esse mesmo problema de dicção que eu.

Mas essa é uma característica da Síndrome em mim. Falar um pouco com a língua enrolada.

Eis a estória, levantem seus questionamentos.

 

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7 comentários

  1. Por essas e outras você é a voz dos portadores de ST não pare de militar e divulgar essa síndrome a sociedade precisa conhecer para que os novos professores do Santa Maria e de tantos outros colégios do Brasil e do mundo tenham o devido cuidado com as crianças portadoras de ST para que na sociedade os portadores sejam respeitados e não sofram o que você tem escrito que sofreu e vem sofrendo. Você é a voz, não desista!

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  2. “Em boca fechada não entra mosca”…

    Bom dia meu grande amigo.
    Pois é, vc era amigo desse policial? Então pra q tanta conversa? Não se conversa com policiais, se responde! Quanto mais falamos, mas podemos produzir provas contra nós mesmos.
    Outra coisa a se destacar é q não podemos exigir q os policiais sejam sumidades do conhecimento, eles não são. Eles só sabem identificar a eles mesmos no espelho e olhe lá.
    Vc tem certeza q era uma blitz da lei seca?
    Pq acho difícil vc não ter feito o etilometro(bafômetro).
    O q fica de certo nessa confusão toda, é q nossa polícia, nossa sociedade, nossos amigos, todos desconhecem de fato a ST, eu era uma dessas pessoas antes de ser seu amigo. Agora, após anos de amizade, sei como identificar de imediato um portador de ST. Agradeço a vc esse conhecimento!
    Giba, nada justifica a falta de conhecimento, muito menos a truculência policial. Sinto por vc ter passado por isso mas peço-lhe q não desista de passear com sua esposa linda e não se deixe abater por isso, afinal, não conheço ninguém q não tenha um episódio parecido de truculência policial.
    Cabeça erguida nobre amigo!

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  3. Isso mesmo, Otto! Faço minhas palavras as suas!
    Meu amigo… Vc ja passou por coisas muito piores q isso!
    Jamais se deixe abater pela ignorância de outros…
    Jamais deixe de se divertir com sua amada esposa por motivos que, nao desprezando, são minimos comparado ao que você ja passou!!!
    Viva meu amor…. Desconhecimento tire sua paz…
    Bjos..

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  4. Giba, sinto que tenha passado por isso. Fiquei revoltada quando li. Eu que te conheço há anos, sei um pouco dessa tua luta. Não se deixe abater por esse tipo de atitude. Sigam passeando pela cidade e um beijo pra Vc, querido.

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  5. isso é um nogento de farda e deveria ser demitido – vc pegou o nome do sujeito? faça uma reclamação na corregedoria e lute sem dó desses tipos de autoridade qeu constrangem e discriiminam sem conhecimento e com certeza nao acredito qeu seja ordem do comandante isso, é lamentável, mas eu iria pra delegacia e ele teria que provar que vc ta bebado e tal e é revoltante mesmo, que ele apodreça no inferno.

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  6. A falta de capacitação dos funcionários públicos é alarmante, e eles não tem a consciência que somos os PATRÕES deles.
    Em outros níveis de funcionalismo, apesar de desagradável e revoltante, não nos coloca em perigo como nas abordagens policiais.
    Meu querido Giba, agradeça aos Céus você ter “sobrevivido” com apenas arranhões na Alma.

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