A solidariedade humana

Vou contar uma história que aconteceu comigo ontem e que não falei para ninguém, só quem sabe até então é a minha esposa.

Eu costumo andar rápido, ao caminhar sempre deixo alguém para trás, e daí paro e espero para a pessoa chegar de novo ao meu lado.

Caminho quase correndo!

Ontem pela manhã, fui à papelaria na outra esquina da minha casa, comprar fita adesiva. Na volta, atravessei a avenida, e apenas um parque com banquinhos, bonitas árvores e um gramado, onde as madames de Parnamirim costumam passear com os seus cachorros, e os namorados  se sentarem nos banquinhos, me separavam da minha casa.

Eis que de repente, a uma esquina da minha casa, eu andando de chinelo, rapidamente como de costume, tropecei e levei uma queda onde caí de ombro e cabeças no chão.

O mundo girou nos meus olhos imediatamente sob o meu olhar apavorado mirando o céu! Minha cabeça e meu ombro e costa esquerda doíam, mas muito mesmo.

Pensei: “fudeu!”!

Tinha um jardineiro do meu lado capinando a grama, foi o primeiro a chegar imediatamente, pois viu tudo e percebeu a gravidade da queda.

Eu levantei a mão direita, e ele logo segurou: “está tudo bem amigo?. Eu respondi que não conseguia me levantar e que ele ficasse do meu lado. Mas em um minuto já haviam cinco pessoas em volta de mim.

Uma mulher me abanando com um pano, outra indo providenciar um copo de água, e outro dizendo que chamaria o SAMU.

Eu disse: “calma gente, preciso de cinco minutos, está doendo tudo, minha cabeça gira. Mas peço um favor ao senhor ao meu lado.”. Ele prontamente respondeu e fez o que eu pedi.

Pedi que ele tocasse levemente em cada parte do meu ombro esquerdo e costas para saber se não tinha quebrado algum osso, no que seria uma tragédia para mim.

Ele fez o procedimento, e vi que era apenas uma pancada muito forte, caso contrário não suportaria a dor. Imediatamente fiquei aliviado. O mundo parou de rodar sob meus olhos, apenas a minha cabeça doía muito. Ergui as mãos e pedi que me ajudassem a levantar.

Fiquei de pé e não apareceu nenhuma tontura.

Esperei cinco minutos de pé para ter a certeza de que não desmaiaria. Disse que morava na esquina, e caso precisasse, minha esposa estava lá para tomar providências.

Olha, dois homens me acompanharam até lá, apertaram minha mão, e disseram: “você é um cara de sorte, eu vi a sua queda, você deu uma cambalhota!”.

Agradeci imensamente a eles, meus olhos se encheram de lágrimas, tanto por não ter acontecido nada grave comigo, como pela dor que sentia e a solidariedade que recebi de pessoas desconhecidas.

Entrei em casa, a cabeça doía só um pouquinho, mas o ombro muito. Minha esposa me viu todo sujo de grama e contei a ela o que aconteceu. Ela tirou minha roupa, ligou o ar condicionado, me conduziu a um banho quente, pois estava todo sujo de grama, e me trouxe um copo de leite com um  dorflex.

Fiquei paralisado duas horas na cama. A cabeça parou totalmente de doer. Meu ombro esquerdo inchou. Tinha que dirigir de tarde, era compromisso inadiável, tive medo de não conseguir. Se fosse o lado direito, teria que pasar marcha, daí complicaria de vez.

Mas graças ao Poder Superior foi possível!

Devagar, a 40km, e com um pouco de dor. Mas colocar uma camiseta não. Não consegui levantar o braço. Precisei da ajuda dela para me vestir.

Acordei agora, como de costume muito cedo, e consigo digitar e fazer praticamente tudo. Um calombo está decorando o meu ombro esquerdo, mas acordei com menos dor.

Minha esposa vai agora ter que se virar para conseguir colocar água no gelágua. Mas ela é forte, já conseguiu uma vez.

Fiquei pensando nessa tal de solidariedade humana. Como os homens são solidários. Eu passei a acreditar mais na humanidade depois deste episódio.

As pessoas são boas, não precisam fazer guerras.

Um sentimento novo brotou dentro de mim. Vi que existe de fato a compaixão…

Essa partilha é importante, pois acredito que meu caso isolado foi um caso de sorte. Mas senti, ao segurar as minhas duas mãos nas mãos dos dois homens, ouvir todos falando e me ajudando, todos desconhecidos, que existe o AMOR AO PRÓXIMO!

EXISTE A SOLIDARIEDADE!

Essa experiência mudou muito a minha forma de pensar…

2 comentários

  1. Bom dia meu estimado amigo…
    Nunca duvidei da solidariedade das pessoas q não conhecemos. Os maiores gestos de solidariedade vêm exatamente dessas pessoas. Vc observou muito bem isso!
    Quanto ao pedir pra um desconhecido apalpar vc para saber se algo estava errado, sem comentários, afinal o cara poderia ser ou não um médico ortopedista ou ainda um paramédico do SAMU, enfim, não foi a forma correta de agir. Tente caminhar ao invés de correr e esperar. Às vezes nos encontramos num shopping e vc acelera o passo e eu prontamente reclamo. Vc escuta e volta a caminhar. Quer andar rápido, vai pra pista de caminhada e corrida do parque da Jaqueira(rs)!
    No mais meu amigo, desejo uma pronta recuperação pra vc e sugiro q vc procure um médico para avaliar corretamente seu ombro. Talvez vc precise tomar algo para inflamação.
    Fica esperto!!!!!

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