O deslocamento é algo necessário

Bem caros leitores, de fato o meu relógio biológico já tem o seu despertador natural. Não importa a hora que eu vá dormir, quatro, cinco da manhã já estou de pé.

Os dias tem sido muito corridos para mim, isso é fato. Provavelmente terei que me mudar, mas não abrirei mão de morar no bairro de Parnamirim.

Vamos lá.

Quando nasci meus pais moravam em Boa Viagem (bem, isso desde que despertei para o mundo). Ainda era um bairro minúsculo. Depois, meu Pai foi fazer residência médica em cirurgia geral e plástica em São Paulo.

Já éramos cinco filhos, tenho muitas lembranças de lá. Até do meu colégio e da sala de aula eu me lembro.

Concluída a sua residência, voltamos ao Recife e fomos morar em Piedade. Meu Pai trabalhava feito um condenado, e minha mãe resolveu aos trinta anos fazer vestibular para Direito.

Se formou e logo passou no concurso de Promotora de Justiça. A renda familiar aumentou evidentemente. Posteriormente passou em outro concurso, o de Procuradora da Fazenda Nacional.

Daí meus pais decidiram investir em um projeto arrojado. Venderam a nossa casa que já era uma casa relativamente grande, de primeiro andar, para uma mansão no mesmo bairro de Piedade, com piscina, porém bem mais para dentro, onde as ruas eram de terra, e só havia umas cinco casas nela.

A família logo falou: Gilberto e Rosa não moram, se escondem (nome dos meus pais evidentemente).

Mas não vou negar, vivi uma infância de “maloqueiro”. Estilingue, futebol com o meu vizinho que era goleiro, o Ricardo, que hoje é um grande amigo.  Depois ganhei uma espingarda de chumbo,  íamos pelos matos das redondezas caçar ratos.

Olha, vou te dizer, que infância maravilhosa que eu tive…

A família teve que engolir a língua, pois em pouco tempo o Bairro de Piedade onde morávamos (a localização) foi começando a crescer, e o bairro vizinho ao meu, o de Candeias, começava a ir na mesma linha.

Hoje, meus pais ainda moram lá, mas com três netos nos quartos onde dormíamos eu e meus irmãos.

Me casei tarde, antes disso tive uma breve experiência de morar por um ano e meio em Boa Viagem novamente, desta feita já desgarrado da família, e depois fomos para o centro, no Bairro da Boa Vista.

Morei dois anos e sete meses lá, e vou contar, não existe coisa pior do que morar de aluguel.

Fiz minha união no civil!

O contrato de aluguel acabou e encontramos um lugar fantástico, bem pequeno, pertencente aos meus pais, no bairro de Parnamirim.

Zona Norte agora.

Aqui estou morando até hoje, fica a dezoito quilômetros de Piedade, na casa dos meus pais, e vou lá visitá-los uma vez por mês.

Somos uma família: eu, minha esposa e Bruce, um Poodle Toy muito amado, de nove anos de idade e com pleno vigor físico, que amamos muito. Acabei de chegar da rua com ele, o pequeno adora passear a essa hora.

Existe uma grande possibilidade de eu ter que desocupar o imóvel, mas não tivemos duvidas, a melhor de todas as escolhas: vamos continuar em Parnamirim caso isso aconteça de fato. Nunca antes tinha morado em um lugar tão aprazível: arborizado, seguro, com todas as opções entre shopping, dellivery, farmácias, delicatessen, restaurantes, parques, um lugar totalmente diferente de tudo o que vi aqui no Recife.

É bem certo que fica distante da casa dos meus pais, mas com a tecnologia de hoje, pegamos em um aparelho e olhamos para o rosto da pessoa em uma câmera, e conversamos até baixar a bateria do aparelho.

Portanto estou diariamente em contato com a minha família inteira, e quando vou lá, é como se estivesse vendo uma pessoa que havia visto no dia anterior.

As coisas vão bem, estou começando a ter o reconhecimento de escritor que tanto busquei. Sou uma pessoa respeitada no meio cultural onde moro.

Estamos passando por um momento de transição, e toda transição causa euforia e medo. Mas isso é algo peculiar ao ser humano.

E vamos tocando nossas vidas, o que importa é que meus pais tem muita saúde ainda, graças ao Poder Superior.

Hoje tenho onze sobrinhos.

Observo assim, o quanto a vida é breve, e bota breve nisso…

Um comentário

  1. Bom dia meu grande amigo…
    Relógio biológico, o q fazer com esta peste(rs)?!
    Cara, quem não teve uma infância assim como a sua, movimentada, cheia de lares em locais diferentes?!
    Não sei ao certo se é bom o ruim o q sei é q deve ser interessante.
    Mudanças sempre fizemos, desde os primórdios, somos um povo nômade buscando o nosso espaço. Quem nasceu para ficar fincado no chão foi árvore(rs).
    Sua mãe, Exma Dra Rosa, foi e é uma lutadora, adoro de coração!!!!!
    Quando a hora chegar sei q vcs irão encontrar um novo local para morar, não tenha dúvida!

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