DIÁRIO DA CASA ARRUINADA – A RESENHA

Bem pessoal, começo aqui, um novo formato de postagem. 

Vou agora fazer resenha literária.

E combinado com o generoso Tiago Feijó, parceiro, colega e companheiro de editora, a paulista Penalux, uma troca de exemplares, com sua total autorização de eu tirar fotos artísticas inéditas do seu livro: “Diário da Casa Arruinada”, com total liberdade de expressão ofertda a mim, tive a oportunidade de finalmente, estrear com este livro aqui citado.

O livro chegou hoje de tarde, comecei a ler, e acabei agora: três e meia da manhã.

Já tinha me preparado para trabalhar de madrugada, pois no horário comercial, tive pouco tempo de o ler, mas já havia começado.

Peguei fôlego, e só fiz depois das dez.

Em primeiro lugar, adoro diários. Não é necessário falar de romances clássicos lidos por mim neste formato de escrita, porque aqui o foco é neste livro, que simplesmente, até para colocar o café no copo, pois sou viciado em cafeína, fui andando devagar, e não parava de ler, acendendo todas as luzes do percurso.

E um diário evidentemente fala em primeira pessoa. E esse é um registro que tem que ser dado.

O romance é complexo, muito mesmo.

E profundo também.

O Tiago Feijó, com a sua inimaginável cultura observada por mim ao longo da leitura, nos apresenta um relato, escrito no caderno e lápis, borracha também, no estilo dos antigos.

Portanto começo a dissecar o livro, falando que ele possui uma cultura fora dos padrões do compreensível, porque durante a sua narrativa, que envolve vários personagens, o autor vai citando autores fantásticos.

O fabuloso Antígona, uma figura da Mitologia Grega, que ele provou ao final ser um profundo conhecedor do assunto.

E os clássicos nomes da Literatura Lendária e idolatrada, como: Shakespeare, Homero, Drummond, Rimbaud, sua adoração a Odisseu, Tróia,  não esquecendo dos Salmos evangélicos, no que caracterizo uma mistura em seu diário, o que atesta que sua cultura é pura e refinada.

E ele oferta conhecimento, porque mescla seus personagens, a essas várias citações, não esquecendo dos egípcios, e concluo o seguinte: ofertar conhecimento nas entrelinhas, e inserir discretamente, mas perfeitamente, entendível num Romance, é coisa rara.

E como é em primeira pessoa, existe o enredo que vai aparecendo a cada nova data que ele nos oferta.

Um mote interessantíssimo, que só os que estão aprisionados a uma das drogas lícitas mais fatais para o ser humano: o vício do cigarro.

Pois na narrativa inteira, ele teve a capacidade de desenvolver personagens complexos, e sua abstinência de ter decidido parar de fumar.

E no enredo, vai aparecendo os personagens. 

E evidentemente que o protagonista tem um nome: Quim.

Na verdade, de batismo Joaquim, mas nunca utilizado na vida.

E Quim vive o drama de uma casa, a que se arruina lentamente pelo matrimônio, sim, o matrimônio não estando em ordem mística, celestial e serena, não existe hipótese de se manter o equilíbrio da mente e do corpo de uma pessoa para levantar e ir trabalhar…

E daí surge a Madalena, uma Artista Plástica que o presenteou, junto com ele evidentemente, o seu maior tesouro:, sua pequena, amada e mágica Selene.

Mais uma caracterização da sua idolatria pela cultura Grega: batizar o nome da pequena de forma elegante e culta.

Mas a Madalena, já não é a mesma há muito tempo, e ele, a princípio, não consegue interpretar a mudança repentina do seu comportamento, nem mais compreende decifrar os enigmas de quem se ama, no caso específico o de decifrar a leitura do seu olhar.

Já do seu maior tesouro, a Selene, basta um rápido olhar, que os signos e interpretações sejam compreendidos perfeitamente.

E o eterno contexto da abstinência ao cigarro, que acho uma abordagem profunda, pois foi a primeira vez que li uma abordagem destas romanceada, passo a passo, dia a dia, a sua algoz crise de abstinência. E ele tem o momento certo de abordar o tema, neste enredo complexo.

PORQUE O LIVRO É COMPLEXO!

E a complexidade vai desde as suas adjetivações incríveis, que nunca havia ouvido, nem lido, mas que na sua escrita, ele as coloca no momento exato, e imediatamente entendemos, não precisando usar o famoso Google para pesquisar os seus significados.

Novamente: ofertando conhecimento.

Usando adjetivações ricas, porque domina de fato, tem o privilégio, que advém do seu intelecto, pois na verdade é um intelectual em excelência.

Mas essa questão da nicotina, vem desde o começo, desde a pessoa que o influenciou a começar a fumar, um personagem que aparece no comecinho do livro, mas some depois.

E para mim, ele induziu Quim ao vício do cigarro na juventude, mas foi o maior responsável pela sua escrita ser induzida para ser emplacada na posteridade, explicando em uma e suas andanças pelas vadias atividades da idade, sentados à beira do rio, que Quim não jogasse um papel amassado, de um poema que havia escrito, no rio.

Seu nome: O Ruivo!

Seu Pai, que em todo o enredo, não dá para definir que tipo de relacionamento estranho tem com o filho… o que torna, a cada vez que ele aparece, pois é coadjuvante ( a princípio, mas vai tomando corpo com o aprofundamento da leitura ), e um novo questionamento fica no ar.

Bem, a última personagema Irene, diria que uma verdadeira governanta naquela casa, que está em completa desconecção pela questão matrimonial, e que evidentemente, foi se arruinando aos poucos, consumindo o personagem Quim, a cada capítulo, e intrigando o leitor para saber que desfecho seria dado ao final.

Isso é fantástico!

Uma bela montagem, e todo escritor mistura ficção com realidade, e cabe a nós, viajarmos nos nossos imaginários, o que foi ou não de fato real. O real, neste mundo do Tiago, o real DELE.

E se desenvolve o enredo, a cada capítulo acabado, no início do próximo, a contagem de seus dias de abstinência da nicotina e seu casamento, que é um questionamento do cotidiano de todos os casados quando estão em crise, e de fato, que as coisas não estão legais.

Ciúmes, dúvida de que ainda haja amor, adultério…

Portando um mote bastante interessante, concordam?

E Quim consegue pelo menos interpretar as expressões corporais de Madalena, e seu sangue, a pessoa que ele mais ama no mundo, sempre aparecendo, e sempre colocando em xeque um fim de relacionamento, o que não é fácil de acontecer.

E a pequena e doce Selene, tranquila, na paz, na mágica que se chama: idade infantil

A crise de abstinência ao tabagismo o torturando, dia a dia, minuto a minuto, segundo a segundo!

Quanto ao seu relacionamento com Madalena, durante todo o enredo, o leitor fica mais entusiasmado com o possível desfecho de tudo.

O seu Pai, que aparece sempre, e sempre que aparece, mais um questionamento sobre seu relacionamento com Quim.

E lá adiante, Quim começa a conseguir interpretar o olhar de Madalena, no que foi importante para uma decisão que não é fácil, mesmo diante de todo comportamento explícito de nenhum carinho verdadeiro vindo dela.

E essa decisão é justamente na abordagem.

Como fazer?

Ele está sufocado por sua constante citação da desgraça da abstinência ao tabagismo, e ainda com milhões de questionamentos para se entender com Madalena, e não sabe como realmente a abordar para uma conversa.

E a abstinência cada vez mais forte, sim!

Quim conseguiu chegar ao vigésimo quinto dia sem fumar, antes do desfecho surpreendente e inesperado.

Mas antes, teve a abordagem, e ali estava explícito: a casa estava de fato completamente arruinada.

Olha, o que acabei de ler, foi o que considero agora, já um clássico da Literatura Brasileira.

E por tudo o que foi falado, não é à toa que ele é finalista do segundo maior prêmio de Literatura do Brasil, o Prêmio São Paulo de Literatura 2018, na categoria Romance, e um menor, mas também de relevância, que é  também finalista: o Prêmio Guarulhos de Literatura.

O Tiago Feijó brinca com as palavras, com a mesma suavidade com que brincava com a sua amada filha Selene.

E acredite Tiago, não acabou aí não, você está no páreo, em igualdade de condição com todos os outros finalistas!

Tiago Feijó nasceu em Fortaleza, em maio de 1983, formado em Letras Clássicas pela Unesp.

E para concluir, como tenho formação em Jornalismo e com uma Pós em Jornalismo Cultural pela Universidade Católica de Pernambuco, e profundo estudioso, conhecedor de literatura, afirmo com convicção: o Tiago Feijó é um romancista completo!

O Diário da Casa Arruinada, para mim, foi um romance que foi além da minha compreensão, do imaginário de absolutamente tudo o que eu possa interpretar sobre o superlativo!

Portanto afirmo: foi a minha maior surpresa do ano, no que se refere a ofertar conhecimento, escrevendo “organicamente“, um Romance tão complexo, tão real em relação às milhares de casas arruinadas que existem nesse mundo, inteligente, tão perfeito na montagem de todos os cenários, com detalhes inimagináveis, e um final surpreendente!

Olha que o ano está acabando…

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