A conjugação 1

Clodoaldo Turcato
CODO

Um cero lampejo de aventura, me fez um ser abominável, dentro do meu convívio.

O certo é que me fiz de justiça divina, me aparentei uma pessoa que não era, mas, fundamentalmente, hoje passo por sacrifícios de exclusão.

O que diriam as belas crianças de outrora, se soubessem o quanto a vida suga de nós, os vivos?

E partindo do pressuposto da vidada do ano, me faço piedoso, quero curar as minhas cicatrizes de arrependimento.

Mas o fundamental é que, se fiz algo de errado, o peso caiu para mim mesmo.

Eu destruo sempre a mim mesmo.

Nada faço mal para os outros.

Só faço mal a mim mesmo.

Sou o protagonista de minhas aventuras, sou sempre a pessoa que escreve na conjugação 1.

Intérprete de sonhos, venho dilacerar as minhas propostas, elas são por demais abomináveis.

Estou convicto do desapego, material, imaterial.

O desapego das coisas que sempre gostei.

Agora estou só, solitário e abundante.

Digito, no reflexo de uma mínima culpa, mas isso apenas é pormenor.

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