Infortúnios

A noite.

A madrugada.

As caladas…

Como um velho peregrino escalo cada etapa como se fosse a última chance de me redimir perante os olhos negros da escuridão.

Como uma tumba vazia, espelho o meu coração e minha mente para o tremendo e apocalíptico nebuloso pensamento.

Afirmo em vão, tento dizer que fui mais vezes refém de mim mesmo, mas de fato fui refém do inventário humano.

Bad.

Muito mal mesmo, já ia esquecer de todos os infortúnios de se enfrentar a morte de perto, se ver alguém escroto mas que se ama morrer.

Mas a morte se apresenta de forma sombria e deliciosa, é preciso saber enfrentá-la.

Vi gente morrer diante dos meus olhos, e vi nos seus olhos a coragem necessária para morrer.

Tem que se ter coragem para morrer, isso é fato.

Dessa vida não tenho muita coisa para levar, apenas a minha eterna conquista, ou seja, o meu legado de existencialista convicto.

Sou existencialista.

Tenho uma formação existencialista.

No profundo escuro vazio, penetro como uma flecha por caminhos inóspitos, e dentro de um casulo, espero virar pássaro voador.

Vou me transformar numa águia de rapina, rasteira e corajosa.

Agora sim, agora eu sei, nada mais a levar desse imundo mundo.

Vida imunda.

Vida escrota.

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