A fidelidade da mesa

Para começar o banquete, tem que se convidar as pessoas certas, desde os que irão sentar à direita como à esquerda.

As cadeiras foram colocadas de forma que cada pessoa tivesse um significado especial e estratégico para a pessoa que sentava na cabeceira.

Lagosta, camarão, flé mignon, alguma das iguarias servidas, pois o nipe de convidados era pra lá de especial.

Um deles particularmente me comovia, pois ao sentar, antes até, desde a sua entrada na casa, que não me cumprimentara.

Era usual, mas ele se sentava à mesa com a arrogância de um mal caráter.

O sacana mor sentado à cabeceira, eu apenas figurava entre uns poucos na minha modesta cadeira, pelo menos não tinha sido colocado na varanda.

Pois na varanda os de menor idade compunha este seleto banquete, mas de que importa, pois era apenas um número que subtraía naquela mesa?

Confesso que o sabor da comida era amargo, mas fui até o final.

E se me perguntarem da lição que tirei deste banquete, confesso que apenas um indesejado prato pode fazer a diferença no final das contas.

Pois nos ditames sociais, é devorado o banquete como se devora a célula máter social.

Socialmente falando, engoli o mau agouro desta indesejada mesa, o banquete dos infiéis.

Fidedignamente.

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