Cardumes de carne

Foto por FOX em Pexels.com

Pairo sob um tempo que nunca mais voltará.

O excesso, a farta vida embriagada pela luxúria límpida, no delírio de uma apoteose dos lares cinicamente perturbados.

Tranquei o meu pecado dentro de um aprisionado mausoléu, e coloquei a minha alma dentro de uma garrafa.

Todos os aspectos da minha sobriedade, eu esqueci por não entender que, quando se encara a vida de cara limpa, se vê as cicatrizes e impurezas dela.

E se me perguntarem se eu estou insatisfeito, reponderei: não.

Quero a realidade crua do universo amargo da vida, a realidade que saberei se terei que comer ração ou não.

Mas uma vida racionada é maravilhosamente bem vinda para mim, eu estou na necessidade de passar por pelengas sociais, estou com calos nas mãos, não irei fraquejar.

O inverno é bastante feroz, a coberta se perdeu no espaço, o frio corroi a minha pele.

Para ter uma pálida passagem, é necessário se passar por provações, muitas delas antes inimagináveis.

E a lebre corre na montanha gelada, escapole do lince, pula do penhasco e encontra a luz, para depois celebrar em um banquete, uma deliciosa sopa de cenouras.

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