Crônica de Arthur Maciel sobre o meu trabalho

O Universo Submerso
de Giba Carvalheira
Poeta escritor

Texto Arthur Maciel

A complexidade do desconhecido evoluindo na velocidade da urgência, a intensidade da força de ir além do previsto clínico e cirúrgico dos rótulos e estigmas, das situações que se apresentam e delas não se foge mais, nunca fora assim e agora urge também que mais uma vez se quede a real, se apresente total que o poeta lhe dá a intensidade almejada.
Entre porres bravios e ressacas completas, o narrador avança numa sequência de intensos encontros e conflitos selvagens, brutos e íntimos, compartilhados e anônimos. Em seu bunker privilegiado e tecnológico, etílico e psicodélico, toma rumo a um coletivo de relações que se despreendem de profundas mudanças e razões que se expandem em necessidades de resoluções.

As relações humanas, o poético, o espiritual, o sangue e o suor. O privilégio e o medo, a sucumbência da violência. O caminho entre os chapantes, os cogumélicos psicodélicos e ansiolíticos etílicos tragos das alquimias gerais. As paisagens entre caminhos de Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista. A calourada Federal, os shows da mpb, as barracas de lanche e bebida, a confraria das tribos jovens e belas e desejáveis. Giba Carvalheira transita pelas situações e locais com profundidade, realismo, conhecimento e descrição dos locais e paisagens e personagens e tempos. A poesia abstraindo os movimentos, os corres e os ocorridos. É uma narrativa concisa e dinâmica, com enredo tramado e entrelaçado com um destino que se despia e desbravava ao tempo da documentação. Divergências e convergências naturais.

Univeso Submerso é um livro escrito às lágrimas e risos que ocasionalmente podem capturar o leitor. Vida longa ao rei! A intensidade de fatos captura o emocional e o transforma em belo rumo ao desconhecido reconhecido. É uma narrativa que tem início com A Maldição de Tourette. Na obra o autor disseca o despertar de uma criança recifense aos seis anos para uma síndrome muscular psicoativa que lhe fornecia infinitas doses de tíques e cacoetes sonoros e espasmos musculares oculares. A compreensão que apenas ele procedia tal maneira, sendo foco de permanente observação e análise e, porque comum ainda em 70, sadismo, ridicularização, domínio, esse negado pelas armas do judô que servia para o revide tanto quanto os punhos e a determinação.

O poeta partiu pra pancada quando esta se serviu a ele. Geração 70. Foi à luta, ancorado nas situações e pessoas que lhe favoreciam o desenvolvimento pessoal em amplas possibilidades, culturais, esportivas, gastronômicas, geográficas, históricas, produtivas, financeiras. Tourettico, mesmo quando ainda desconhecedor do processo orgânico provocador assim descrito, envolto principalmente em seus processos naturais e consequentes, amparado em amplas doses de álcool e maconha, sempre sozinho, porque  a caminhada impunha a solitude de ser único na espécie comportamental, o louco infanto.

A Maldição de Tourette navega por esses mares, da infância segunda ao universitário calejado que circula pela faculade de jornalismo da Unicap, com suas voltas olímpicas por bares e baseados. É uma narrativa divertida e conservadora das características de tempo e espaço, os caminhos percorridos pelas cidades, os ambientes e os personagens descritos, tudo se encaixa e apresenta um relato ousado e revelador de relações humanas e extratos sociais de 1970 a 1997. O enfrentamento e a revelação do conhecimento desbravante da condição. Outros atores se impõem, outros iguais e particulares. As manipulações químicas são dispostas e o poeta mergulha com o coração completo sobre elas, repleto de esperanças e expectativas, de braços abertos para a vida.

De toda forma os livros se preenchem. A Dissertação da Minha Loucura e Uma Temporada no Holliday são arcabouços desse enredo que se apresenta na Maldição de Tourette e arremata com Universo Submerso. Argamassa das decisões arcadas pelas atitudes, caminho vão que havia ser percorrido no bojo da compreensão a mais visceral existente e suportável ao mesmo tempo, mesmo quando não. O trash da química desmedida, o punk substancial do mundo das drogas ilícitas, seus recantos putrefaços que servem a tragos esfumaçados e etílicos, entrecortes que preenchem, elucidam e dão vitalidade ao personagem e seus enredos. De livro a livro. Uma coletânea que deve ser lida no compasso da intuição de quem o lê.

Arthur Maciel – Jornalista (MTb 2.452/PE)
(81) 9 8666.4943

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