Doze dias – Tiago Feijó

Recebi o novo romance de Tiago Feijó: doze dias (Penalux: 2022), um pouco depois do Carnaval. Comecei finalmente este ano a ler no Kindle, e para ele, a missão do segundo livro.

O enredo do pai omisso que adoece, do filho que retorna para a cidade aceitando o chamado do pai. O reencontro depois de uma década com aquele que preferiu a abundância dos seus deliciosos pecados ao apego no sólido familiar.

E o enredo se constrói com nuances de reparações pessoais ao Antônio, o filho que jamais poderia supor ter um reencontro de tamanha lástima, pois o sr. Raul, padece de um resultado de uma vida cheia de vícios mundanos.

Pude observar aí o meu pai, que quando adoeceu, teve todo o aparato meu, pessoal, de amor, dedicação e carinho, mesmo tendo sido um pai omisso.

E por tantos e tantos leitores que a princípio se prenderam a este pormenor, dentro do universo de pais que deixam os filhos à própria sorte na criação.

O livro voa neste cenário onde outros elementos começam a aparecer, em riqueza de detalhes. Sentimentos vividos no passado. Sentimentos que nunca foram.

O sr. Raul já de certa forma desenganado quer de todas as maneiras ver Alice, a filha que ele virou as costas, e que não sabia do seu paradeiro. Mistérios de entrelaces que vão se desenlaçando.

Neste cenário doze dias vai com fôlego tomando as inimagináveis variáveis no pesar do leitor, no pensar aguçado de uma trama em que os capítulos estão em desordem no período de tempo. Começa no sexto dia, desliza para o segundo, vai ao décimo primeiro e assim sucessivamente, uma ordem dos dias que Antônio passa com Raul sem a cronologia padrão.

O livro me levou a alguns questionamentos, fica um: é na morte que perdoamos todas as pessoas que nos cicatrizaram?

Assim como os rins de sr. Raul, que pararam de funcionar o levando ao iminente fim no hospital que adaptara uma UTI improvisada para o acolher, vamos deslizando com a suavidade da leitura que prende e delimita a trama que nos envolve. Doze dias é um livro que leva à reflexão.

Reflexão do que realmente vale para com os nossos, mesmo com as omissões e faltas de pessoas que sempre procuramos um amor não correspondido, dentro de uma ordenação familiar entre pai e filho.

Voltei à morte do meu pai, que por tamanha omissão, optei por não comparecer à sua exumação. Mas que o livro me fez entender as suas limitações perante à vida.

Gostaria de ter perdoado um pouco mais o meu pai. E essa sensação foi a que ficou, para mim, ao ler o espetacular livro do colega Tiago Feijó.

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